No início somos pequenos, baixos, a tocar o chão, e a ver de muito longe o céu. No início não temos sonhos. Somos apenas o hoje sem sabermos onde estamos ou para onde vamos. E ainda assim sorrimos para a imensidão do que vem de cima, para a largura e o comprimento desmesurados do mundo. O nosso primeiro lugar é a casa, as quatro paredes que embrulham um espaço que dentro de momentos já é pequeno demais. Assim crescemos a pensar que o "aqui" é já um cubículo e que o resto que não conhecemos é um labirinto para um gigante. Um dia mais tarde, mas tão pouco depois, nascem os sonhos e o mundo torna-se mais pequeno, torna-se numa viagem.

E assim descobrimos que o mundo tem o tamanho dos nossos sonhos e que ele é a nossa nova casa.



Marraquexe

Na estação de comboio informam-nos que hoje não podemos ir para Marraquexe. Houve um acidente na linha. Só amanhã é que está assegurada a ligação. Atrevemo-nos então a ir de autocarro. Cerca de 5 pessoas aproximam-se de nós assim que chegamos a esta "estação" estranha e suja. Durante algum tempo surge uma negociação entre os marroquinos sobre o preço que vamos pagar. Até que parece que podemos subir para o autocarro onde várias culturas se juntam. Alguém fala português e assim tivemos conversa para as quase 5 horas de viagem. Ainda antes de chegarmos ao destino fomos obrigados a parar por causa do excesso de velocidade e para comermos qualquer coisa junto a um mercado. Nesta última paragem entrou dentro do autocarro um homem a cantar, um outro a lamentar-se e outros ainda com doces para vender. O mercado foi transportado para dentro do autocarro numa fracção de segundos.

Mais tarde chegámos a Marraquexe, uma cidade com quase mil anos onde um cor-de-rosa avermelhado apaixonante preenche a parede dos edifícios.

A primeira paragem foi nos Jardins da Menara e deu logo para ver que esta era a cidade dos Jardins.


Ao final do dia fomos à Praça Djema El-Fnaa, onde a noite tem um misticismo único, onde as pessoas se juntam em grupos por curiosidade. Aqui a televisão parece não existir e em sua substituição alguém conta uma história a um grupo que se junta em seu redor, outro alguém encanta uma serpente, outro prevê o futuro e outros representam uma peça. Do outro lado mais um grupo e outro e outro e outro.... parece que voltámos à época dos contadores de histórias. E lá mais no fundo estende-se o mercado, a arte tradicional, os chás, as ervas, as especiarias e os sumos de laranja e depois um labirinto de ruas e ruelas composto também por lojas e mais lojas.


Ao outro dia passamos novamente pela Koutobia, a principal mesquita de Marraquexe.


Fazemos também uma visita ao bonito Palácio da Bahia (século XIX) - a entrada custa 10 dirhams - e por ignorância tiramos uma foto ao Palácio Real. Rapidamente somos obrigados a apagá-la porque um polícia manifestamente chateado vem falar connosco e assim o exige.


Sim, Marraquexe faz-nos lembrar a história do Aladino e das "Mil e uma Noites", faz-nos entrar numa cultura mais tradicional e ao mesmo tempo mais livre mas são também visíveis as influências da Europa. Basta passarmos pela estação de comboios de Marraquexe para percebermos que o MacDonald's e as escadas rolantes já estão a mudar Marrocos.

Sem comentários: