São dezenas, centenas, milhares de pessoas a passarem e a pararem. Reúnem-se no chão, nos poucos bancos, junto ao relógio, olham os pássaros, conversam sobre o mundo em línguas que se multiplicam e que são mutiladas, dado que é difícil falar com todos sobre tudo em línguas tão diferentes. Um gelado no Verão ou um café no Inverno juntam-se ao dia-a-dia das conversas e das histórias. A cultura nasce e cresce, em parte, por causa destes lugares que aglomeram as diferenças de tantos mundos diferentes. E tudo isto se passa, se conta, reconta e volta a passar na Plaza Mayor. Ela é o ponto de encontro, é o centro de Salamanca, é a cidade da comunhão e da partilha, onde há sempre alguém a chegar para a conhecer e sempre alguém pronto a partir com saudade.
Depressa chega a noite e a Plaza Mayor, tal como toda a cidade, enche-se ainda mais. De gente, de histórias, de dança, música, de convites, de caras desconhecidas que se tornam em amigos que o tempo vai levar ao esquecimento. E não são só jovens que se deslocam até ao centro da festa. São pessoas, de todas as idades que tornam as noites numa fonte de diversão.
Destes tempos, já tão longínquos, lembro-me das festas Erasmus. Alguém convidava alguém para uma festa lá em casa. E, de repente, para além das pessoas convidadas começavam a chegar pessoas que ninguém conhecia, nem o próprio anfitrião. E assim se juntavam dezenas e dezenas de pessoas num apartamento. E, no meio de toda a confusão, que às vezes envolvia a vizinha do apartamento ao lado chamar a polícia por causa do barulho, alguém transformava espanhol em inglês para que um alemão percebesse um espanhol. Cantava-se, sorria-se e antes da ida para um bar lá apareciam as conversas filosóficas, as perguntas e as possíveis respostas.
Esta foto representa uma das superstições de todos os estudantes que passam por Salamanca. Quem não encontra nesta fachada "la ranita de la suerte" vai chumbar :)
Ao outro dia a aventura continuava... as aulas de espanhol eram uma dose matinal de boa disposição. Senti-me pela segunda vez na vida uma criança ao entrar dentro desta língua. E até foi simples assimilar todas aquelas palavras tão parecidas com o português. De Espanha guardo a minha frase preferida: "Te echo de menos". Sim, "te echo de menos Salamanca".

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