No início somos pequenos, baixos, a tocar o chão, e a ver de muito longe o céu. No início não temos sonhos. Somos apenas o hoje sem sabermos onde estamos ou para onde vamos. E ainda assim sorrimos para a imensidão do que vem de cima, para a largura e o comprimento desmesurados do mundo. O nosso primeiro lugar é a casa, as quatro paredes que embrulham um espaço que dentro de momentos já é pequeno demais. Assim crescemos a pensar que o "aqui" é já um cubículo e que o resto que não conhecemos é um labirinto para um gigante. Um dia mais tarde, mas tão pouco depois, nascem os sonhos e o mundo torna-se mais pequeno, torna-se numa viagem.

E assim descobrimos que o mundo tem o tamanho dos nossos sonhos e que ele é a nossa nova casa.



Viajar não deve ser acumular países. Viajar é uma tarefa árdua para aqueles que querem aprender a ser mais tolerantes e para quem não se importa de ser outra pessoa noutro país.
Há que vestir outra indumentária, há que ser uma personagem, há que fugir do que conhecemos e pensar “como seria se eu vivesse aqui?”e "como seriam os que aqui viveram?".

Viajar pode ser como entrar num conto de fadas. Os castelos e os palácios têm a mesma luxúria, fantasia e magia do que nos contos que ouvíamos quando éramos crianças. Mas há que ser forte e ver tudo o resto. Ver as casas pobres e os lugares miseráveis, ouvir as histórias das pessoas que ganham num dia o que nos serve para comprar um souvenir. Ás vezes dá vontade de não conhecer a totalidade. Quase que queremos só conhecer uma parte, a parte bonita, a parte turística. Mas a realidade é avassaladora e lá por não a querermos ver, ela está lá. E, mais tarde ou mais cedo, acabaremos por vê-la e, é verdade, a beleza de um lugar pode ficar um bocadinho mais feia.

Aprendi a admirar aqueles que se atiram para dentro de um país que nada tem a ver com o seu, que não acham difícil viver todos os dias (e não só numa viagem) aquela cultura, aquela confusão, aqueles dias. Sim, o mundo está cada vez mais global. O Macdonald’s está em todo o lado mas a alma de uma cultura continua a ser um lugar sagrado onde poucos têm a coragem de entrar.

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