No início somos pequenos, baixos, a tocar o chão, e a ver de muito longe o céu. No início não temos sonhos. Somos apenas o hoje sem sabermos onde estamos ou para onde vamos. E ainda assim sorrimos para a imensidão do que vem de cima, para a largura e o comprimento desmesurados do mundo. O nosso primeiro lugar é a casa, as quatro paredes que embrulham um espaço que dentro de momentos já é pequeno demais. Assim crescemos a pensar que o "aqui" é já um cubículo e que o resto que não conhecemos é um labirinto para um gigante. Um dia mais tarde, mas tão pouco depois, nascem os sonhos e o mundo torna-se mais pequeno, torna-se numa viagem.

E assim descobrimos que o mundo tem o tamanho dos nossos sonhos e que ele é a nossa nova casa.



NOTAS DA VIAGEM

“Sun is shining the weather is sweet”
A ÁGUA

Azul claro. Azul um bocadinho mais escuro. Azul turquesa. Verde. Transparente. Os tons variam mas a beleza não. 25 graus. Não quero sair desta água. Vou levá-la comigo.

OS SORRISOS

A empregada despeja a água no copo enquanto cantarola algo e entre sorrisos pergunta “How are you?”.

AS FOTOS

Não me chega a memória do cartão, nem o tempo. Não me chega a máquina. Não me chegam os clic’s. Tudo parece digno de uma foto.

Eu, a típica péssima fotógrafa, tornei-me na melhor fotógrafa de sempre na Jamaica.

NO PROBLEM!

A porta do quarto não se fecha bem. O empregado do hotel disse logo No problem!.

O TÁXI

O táxi pára. No problem! Alguém tenta levar cerca de 15 crianças dentro de um carro. Só vejo cabeças e olhos e cabelo e cabeças e olhos e cabelo. Passou. Não há fotografia.

O MERCADO DE OCHOS RIOS

Um homem com uma faca na mão corre para junto de outro no mercado de Ocho Rios e começa a bater-lhe.

O SOL

O sol… afinal nunca tinha visto o sol…


A LUA

A lua parece um sorriso.

EM NEGRIL

“Give me a dollar to jump!” – em Negril querem que pague um dólar para me atirar junto a uma falésia para o azul esverdeado, verde azulado, azul, azul, azul. Entretanto, alguém salta!

NO TÁXI

O taxista pára por causa de um semáforo. Abre a porta e pergunta se a rapariga quer ir com ele. Volta a fazê-lo mais à frente.

AS CORES

A Jamaica é o quarto principal país produtor de bauxite (empregada no fabrico de alumínio). Junto à beleza da água as faixas de alumínio juntam-se para criar barracas, barraquinhas. E se pensamos em pobreza eles pensam em cores e enfeitam as pequenas casas, bares, ou locais de venda dos mais variados produtos. Riscas vermelhas, verdes e amarelas (cores rastafari) ou simplesmente tudo azul para combinar com o mar.

O AÇÚCAR

Açúcar nas couves, na carne. Açúcar. Cana-de-açúcar à venda no mercado de Falmouth ao lado das frutas.

A CULTURA

Os mortos não são logo sepultados. Quanto mais alto o extracto social mais tempo demora a ser feito o enterro. E enquanto não é enterrado, come-se e bebe-se. E muitas vezes espera-se pelos familiares que estão noutros países, uma vez que a ilha têm cerca de 3 000 000 habitantes mas outros tantos são emigrantes noutros países como os EUA.


OS POBRES E OS RICOS

As casas mais ricas estão afastadas do mar. O extracto social aqui vê-se como realmente é: de cima para baixo. Nas montanhas estão os ricos para se sentirem seguros e junto à costa estão os pobres. Um sentido inverso ao das favelas no Brasil.

YA MON!

A mão fecha-se e ergue-se um punho que bate noutro punho. “Ya mon!”, uma vez mais a tradicional expressão jamaicana solta-se e torna-se parte de quem a ouve.

NO MERCADO DE OCHO RIOS

Olhos cinzentos pouco se movem no mercado. As mulheres continuam a perguntar se não quero umas tranças no cabelo. Bagos de café na forma de um colar aparecem-me à frente para que as compre. Serão das Blue Mountains? Aqui está o melhor café do mundo, segundo o James Bond.

“I’m a rainbow too!”

Caixas, quadros, xilofones, tambores, djembés, camisolas, lenços, brincos, pulseiras, fios… a música e a pintura misturam-se dentro dos mercados. Depois misturamo-nos nós também lá dentro mas não conseguimos andar. Paramos ou não. Regateamos e pouco avançamos indiferentes.

"Don't worry about a thing... 'cause every little thing gonna be all right!"

OS PIRATAS

Port Royal e Kingston - não visitei mas sinto pela ilha o passado dos piratas. Será que há por aqui um tesouro algures plantado?

NO RESTAURANTE

Os restaurantes são, para mim, de inicio assustadores. Brancos sentados são servidos por pretos de pé. A sensação que fica é que está a ser rodado um documentário sobre o colonialismo.

LAGOA LUMINOSA

Lagoa luminosa. Alguns não vão por causa do lodo. Eu salto. Não faço viagens para depois não ir, não é? Um barco passa envolto em luz azul na sua carapaça. E o nosso também está assim... Os braços mexem-se, as pernas também e os bichinhos fazem magia... azul, azul, azul... aqui até a água é azul mesmo que seja de noite.

MARGARITE VILLE

Lançamo-nos à água com as barbatanas, os óculos e os coletes. O mar está bravo e algumas pessoas do catamarã já estão a vomitar. No regresso a Margarite Ville o capitão abranda e aponta para a água. "tubarão!" Opsssss.....

A DROGA

Estatística de oferta de droga: média de 3 vezes por dia.

A DESCOBERTA DA ILHA

Discovery Bay - Entre Montegobay e Ocho Rios foi aqui que Cristovão Colombo desembarcou em 1494. Todos os jamaicanos da ilha morreram, entretanto e os que hoje povoam a ilha descendem de escravos trazidos de África.

"This is my message to you..."

O QUE ME DEIXA SAUDADE

azul, azul, azul, verde, transparente... um cardume de peixes salta por cima da linha da água! Uau...nem sabia que isso era possível... azul, azul, verde...

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