No início somos pequenos, baixos, a tocar o chão, e a ver de muito longe o céu. No início não temos sonhos. Somos apenas o hoje sem sabermos onde estamos ou para onde vamos. E ainda assim sorrimos para a imensidão do que vem de cima, para a largura e o comprimento desmesurados do mundo. O nosso primeiro lugar é a casa, as quatro paredes que embrulham um espaço que dentro de momentos já é pequeno demais. Assim crescemos a pensar que o "aqui" é já um cubículo e que o resto que não conhecemos é um labirinto para um gigante. Um dia mais tarde, mas tão pouco depois, nascem os sonhos e o mundo torna-se mais pequeno, torna-se numa viagem.

E assim descobrimos que o mundo tem o tamanho dos nossos sonhos e que ele é a nossa nova casa.



Já há quase 3 meses que me mantenho sem paragens, sem decifrar mapas, sem prever percursos, sem novas narrativas.
Estou um bocado em baixo. Preciso daquela força toda que há na frase "Vou partir!", das minhas malas mal arranjadas, do olhar a pairar sobre tudo como se as paisagens, as casas e os monumentos saltassem para dentro da minha mochila e passassem a acompanhar-me no meu trajecto.
Sinto falta de dias calmos e de ser a "Alice no País das Maravilhas". Sinto falta, sobretudo, de não ter comigo um cartão de embarque para qualquer lado...
Afinal viajar é como que apanhar uma parte do sonho do mundo inteiro. E só há dois tipos de dias importantes na nossa vida: aqueles em que sonhamos e aqueles em que concretizamos os nossos sonhos.

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